quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

É o ROUBO do dinheiro do povo SENADORES E DEPUTADOS

Cartões do governo pagam até despesas em joalheria
Ministra da Igualdade Racial, por exemplo,
gasta R$ 461 em free shop e diz que se enganou

Portal do governo mostra que instrumento indicado para gastos "emergenciais" foi usado em choperia e loja de instrumentos musicais


LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os cartões de crédito corporativo do governo federal, indicados para gastos "emergenciais", como a compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e em free shop, conforme dados do Portal da Transparência, site do próprio governo.

Os responsáveis pelas compras afirmaram que a prática é legal e todas as compras eram necessárias. Não foi o que aconteceu com a ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), que pagou despesa de R$ 461,16 em um free-shop em outubro do ano passado. Alertada pelo ministério, ela reconheceu o "engano" e afirmou ter ressarcido o valor à União só neste mês.

Os gastos nesses estabelecimentos, alguns irrisórios, foram feitos por funcionários e pelos próprios ministros. No ano passado, toda a máquina federal gastou R$ 75,6 milhões com o cartão de crédito corporativo, aumento de 129% em relação aos gastos de 2006. A elevação se deve pelo fato de ter aumentado o uso do cartão que, segundo a CGU (Controladoria Geral da União), é mais transparente e fácil de fiscalizar.

Apesar de os gastos serem "emergenciais", o Ministério do Trabalho pagou R$ 480 para consertar um relógio importado numa joalheria de Brasília.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, gastou R$ 468,05 no restaurante Bela Cintra, nos Jardins. O valor médio da refeição lá é de R$ 150 por pessoa. Não consta da agenda do ministro na internet nenhuma atividade na data (25 de setembro). Sua assessoria, contudo, enviou à Folha agenda que assegura ser a do dia, quando Silva estaria em São Paulo. Disse que a ausência da programação no site do ministério se deve a "problemas de atualização".

Orlando Silva usou o cartão em outros restaurantes: R$ 198,22 em uma churrascaria na capital paulista, em 22 de outubro, quando também não havia nenhuma atividade em sua agenda na internet. No mesmo dia, segundo o portal da Transparência, há o registro de outro gasto com restaurante: R$ 217,80 no francês Le Vin Bistro, também no Jardins. A assessoria informou que os gastos ocorreram em dias diferentes, quando o ministro cumpria agenda em São Paulo.

No dia 29 de junho de 2007, quando a agenda de Orlando Silva informa que ele iria "despachar internamente", o extrato de seu cartão mostra gasto de R$ 196,23 em uma churrascaria na capital fluminense.

Já o ministro Altemir Gregolin (Pesca) gastou em julho passado R$ 70 na choperia Pingüim, em Ribeirão Preto (SP). Ele, contudo, justifica que foi ao local jantar, e que não consumiu bebidas alcóolicas. Os dados disponíveis na internet não descrevem os itens consumidos. O ministro tinha uma agenda oficial na cidade.

O Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), órgão ligado à Presidência, pagou compra de R$ 80 em uma loja de instrumentos musicais no centro de Porto Velho (RO). Em Porto Alegre, funcionários da Empresa de Trens Urbanos, que tem a União como acionista majoritária, gastaram R$ 209,99 em uma veterinária, R$ 630 em uma loja de eletrodomésticos, R$ 1.178 em duas óticas e R$ 695 em uma floricultura.

As despesas com cartões corporativos vêm aumentando desde sua criação, em 2001. Eles substituem as contas "tipo B", quando um servidor recebe o dinheiro e depois presta contas.

Essas contas ainda são usadas -em 2007, os gastos com elas chegaram a R$ 101,3 milhões, valor superior ao dos cartões (R$ 75,6 milhões).

SENADORA KATIA ABREU - BIOGRAFIA

Biografia


Kátia Abreu nasceu em Goiânia, onde se formou em Psicologia, na Universidade Católica de Goiás. Mãe de três filhos, tornou-se chefe de família e empresária rural aos 25 anos de idade, com a morte do marido. Em 1994 disputou e venceu a eleição para presidir o Sindicato Rural de Gurupi - terceira maior cidade do Tocantins -, tornando-se a primeira mulher a comandar a entidade.

Em seguida, assumiu a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, cargo que exerceu por quatro mandatos consecutivos (1995 a 2005). Destacou-se como a primeira - e única até hoje - mulher a comandar uma entidade dessa natureza no país. Presidiu a Comissão Nacional da Amazônia Legal, da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Desde 2006, ocupa uma vice-presidência da CNA, entrando para a história da Confederação como a primeira mulher no País a fazer compor a diretoria da entidade.

Em 1998, disputou pela primeira vez uma cadeira na Câmara Federal, ficando como primeira suplente com quase 23 mil votos. Assumiu a vaga em 2000 e, em 2001, foi escolhida para presidir a Frente Parlamentar da Agricultura no Congresso (Bancada Ruralista), sendo a primeira mulher a presidir esta Frente na História do Congresso Brasileiro.

Em 2002, a então deputada federal Kátia Abreu foi reeleita para a Câmara dos Deputados numa votação histórica, conseguindo 76.170 votos (12,91% dos votos) e sendo a terceira deputada mais votada, proporcionalmente, em todo o País e a mais votada no Estado do Tocantins, com mais de 30 mil votos à frente do segundo colocado.

Em 2003, Kátia Abreu assumiu a presidência do Democratas Mulher, órgão de ação partidária do Democratas (ex-PFL). Atualmente, é vice-presidente de Estados do Democratas.

Em outubro de 2006, Kátia Abreu foi eleita a primeira senadora do Tocantins, com uma votação de 325 mil e 51 votos, para um mandato de oito anos, de 2007 a 2014.

Entre suas principais bandeiras estão o agronegócio, o combate ao câncer de mama, o voluntariado e o ensino tecnológico para jovens do Ensino Médio. No Tocantins, desenvolve o programa de voluntariado Mãe de Leite, que distribui de leite em pó para duas mil crianças de famílias de baixa renda.

Realizou em 2004, 2005 e 2006 a campanha "Amigos do Peito", mobilizando parlamentares de todos os partidos para que destinassem verbas das emendas orçamentárias individuais para a compra de mamógrafos para os municípios brasileiros. Kátia Abreu conseguiu levar para seu Estado aparelhos suficientes para atender as mulheres no exame preventivo do câncer de mama.

Vasculhando o Orvil - Capítulo V

Pela editoria do site www.averdadesufocada.com


Atuação da Igreja junto à ALN /
Guerra Psicológica


Em 1969, a ALN cada vez mais se estruturava para expandir a guerrilha por todo território nacional e para isso contava com o apoio de setores do meio estudantil, operário e de alguns membros da Igreja. Já dispunha de uma rede de atendimento médico, de uma casa de recuperação no litoral, de área de homizio em Ribeirão Preto. Uma dessas bases de apoio era a casa do industrial francês Jacques Emile Frederic Breyton, na Rua Souza Ramos, 17, Vila Mariana, que era usada para reuniões do comando da organização e festinhas de confraternização.

Já era grande o número de militantes que praticavam ações armadas (assaltos, atentados a bomba, “justiçamentos”, seqüestros) e, simpatizantes, que davam apoio aos subversivos (esconderijo, entrega de correspondência, transporte de armas, tratamento de feridos, local para reuniões, etc).
Entre essas redes de apoio e sustentação os dominicanos do Convento das Perdizes desempenhavam importante papel . O contato entre a ALN e os frades era feito por Paulo de Tarso Venceslau, que acumulava as funções de coordenador do setor logístico com essa função.

Frei Beto e a Subversão

Entre os dominicanos , Frei Beto era um dos mais atuantes na rede de apoio à guerrilha. Tinha livre trânsito entre algumas organizações subversivas ( Vanguarda Popular Revolucionária – VPR -, Movimento Armado Revolucionário – MAR - e Aliança Libertadora Nacional – ALN-). Bastante comprometido com a subversão, ao ser preso um militante da VPR, Frei Beto, por medida de segurança, abandonou sua residência e com o beneplácito do Provincial da Ordem , Frei Domingos Maia Leite, foi transferido para o Seminário Dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, onde logo Marighela lhe determinaria novas missões. Seria o encarregado do esquema de fuga e passagem de militantes clandestinos pela fronteira para o Uruguai.

O sistema funcionou. Frei Beto recebia ligações telefônicas de São Paulo, feitas por Frei Fernando, avisando-o que ia ser contatado. Usando senhas combinadas, encontrava o militante em São Leopoldo e o alojava na Igreja da Piedade. De São Leopoldo era transportado para Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, de onde seguia para Montevidéu .

Por lá, apoiados por Frei Beto, sairam do Brasil : fugitivos; militantes que iam fazer curso de guerrilha em Cuba; e guerrilheiros que iam manter contatos com outros militantes em países da América do Sul - Chile, Argentina -, para que novas operações fossem planejadas e realizadas na volta ao Brasil.

Com esse apoio foram retirados do país, entre outros: José
Roberto Arantes Almeida, Carlos Henrique Knapp, Eliane Toscano Zamikhowski, Joaquim Câmara Ferreira, Ana Maria Soares Palmeira, Sebastião Mendes Filho e Arno Preiss. Uma operação dessas que não deu certo foi a de Joseph Berthold Calvert que foi preso na fronteira, em 26 de outubro, não conseguindo atingir o Uruguai.

Muitos foram os religiosos, ligados aos dominicanos, que se envolveram com a luta armada, entre eles, além dos já citados:

Frei Osvaldo

Frei Ivo

Frei Bernardo Catão

Frei Giorgio Calegari

Frei João Antonio de Caldas Valença

Frei Roberto Romano

Frei Tito de Alencar Lima

Padre Veríssimo

Padre Manoel Vasconcellos Valiente

Padre Marcelo Pinto Carvalheira

Seminarista Francisco Castro


Ações psicológicas

Marighela tentava despistar o financiamento vindo de Cuba, e justificava os recursos da organização, como conseguidos unicamente por meio de assaltos a bancos.

Usando a tática da guerra psicológica, com o objetivo de atemorizar a população e desmoralizar as forças de repressão, eram freqüentes os ataques a sentinelas de quartéis, viaturas e radiopatrulhas. Embora esses soldados e policiais militares estivessem em dupla, apanhados de surpresa, era fácil desarmá-los, queimar as viaturas, tomar-lhes as armas e humilhá-los na frente da população. Algumas vezes, num requinte de crueldade, alguns eram mortos, depois de desarmados. A repercussão desses fatos, inexistentes naquela época, visava criar o medo e a demonstrar o poder da organização subversiva e a ineficiência dos meios de repressão. Essas ações não tinham objetivo maior do que a propaganda da luta armada.

Bombas explodiam frequentemente. No dia 25 de junho, foi colocada uma bomba na barraca do Exército, instalada na feira do livro, na Praça Saens Peña, no Rio de Janeiro. Felizmente, para a multidão de inocentes que visitava a feira, por uma falha no mecanismo, a bomba não detonou.

Continuando a guerra psicológica, em 15 de agosto, um comando da ALN, de doze elementos, tomou de assalto os transmissores da Rádio Nacional, em Piraporinha, no município de Diadema, SP. Nessa ação, além de tomarem o revólver do guarda Raymundo Salustiano de Souza, espancaram o operador chefe Libório Schuck. Na ação os terroristas colocaram no ar uma fita gravada por Gilberto Luciano Beloque, com um manifesto de Marighela. Na mensagem, Marighela conclamava os militantes para o prosseguimento e intensificação das ações terroristas na cidade. Segundo sua teoria, se as tropas se mantivessem ocupadas desviariam a atenção da zona rural, onde a guerrilha começava a ser implantada.

Ainda em agosto, a vitrine doMappin foi metralhada, por expor uma homenagem ao Exército.
Prosseguindo suas atividades de guerra psicológica, a ALN enviou às autoridades de São Paulo, dias antes do 7 de setembro, um manifesto exigindo que fossem suspensas todas as solenidades da Semana da Pátria no Vale do Anhangabaú. A organização ameaçava realizar atos terroristas contra a população, responsabilizando as autoridades pelo que ocorresse.

Era raro o dia em que, em São Paulo , uma ou outra organização não praticasse atos de terrorismo ( ataques a ônibus , viaturas militares, depredação de bens públicos, atentados a bombas , panfletagem armada em favelas, universidades, etc.). A população , acostumada com a tranqüilidade daquelas décadas, estava atemorizada.

Os jornais, defrontando-se com essa nova situação de insegurança, publicavam editoriais , como o transcrito abaixo :

“Consciência Geral

O desvario terrorista não mede conseqüências. Pouco lhe importa as vítimas que vai deixando pelo caminho, desde que atinja os seus objetivos imediatos de precário rendimento contestatório. Este é um dos seus aspectos mais cruéis: a insensibilidade com que, nos seus transbordamentos, envolve, de repente, o homem de rua, o transeunte pacato, a mãe que leva o filho consigo.

A ação terrorista não se limita a entrechoques eventuais com agentes da lei. É uma guerra declarada à sociedade, na medida em que, criando um clima geral de insegurança, arrisca vidas anônimas.

O repúdio da família brasileira ao terrorismo, manifestado desde seus primórdios no País, não a isenta, infelizmente, de uma participação maior no quadro geral das responsabilidades convocadas para combatê-lo. Da mesma forma, não a impede de, eventualmente, sofrer na própria pele os efeitos dessa luta.

No momento em que as ruas se transformam em palco de escaramuças sangrentas, com o sacrifício até de crianças e mães de família habituadas a uma paz de espírito agora ameaçada, cabe a todos nós reforçar conceitos de deveres e responsabilidades em função da tranqüilidade coletiva. A consciência geral terá de despertar com urgência para a triste constatação de que está diante de uma ação alucinada de grupos minoritários que requer medidas especiais de resguardo.

A família brasileira precisa colocar-se à altura desse instante inquietador que não deve e não pode perdurar, não obstante a soma atual de maus presságios. E somente será digna dessa nova convocação quando começar no ambiente dos seus lares a tarefa geral de pacificação dos espíritos e desarme das atitudes radicais fundamentadas no ódio.”

Jornal do Brasil - 14/03/1970.

Fontes: Orvil e A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

LULA FINGE QUE NÃO VÊ AS EPIDEMIAS...

Lula não vê, não ouve nada que não lhe intressa ouvir. Não vê as epidemias que voltaram no governo "delle", até parece que a CPMF está fazendo falta para a saúde do brasileiro.

CPMF que nunca foi para a saúde nem para nada que beneficiasse ao povo, mas sim para ajudar esse "governo" a pagar aos seus companheiros.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008


São Paulo, terça-feira, 08 de janeiro de 2008

Tribunal vê irregularidades em terras de irmão de Renan


DA AGÊNCIA FOLHA

A Corregedoria do Tribunal de Justiça de Alagoas encontrou irregularidades no registro de imóveis pelo cartório de Murici (60 km de Maceió) e que podem ter beneficiado o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do senador Renan Calheiros (PMDB).

A tabeliã Maria de Lourdes Ferreira Moura foi investigada em dois processos administrativos por possível grilagem de terras (posse de terras alheias mediante escrituras falsas de propriedade). Em um deles, é suspeita de ter incorporado uma área a uma das fazendas do deputado no município.

O Ministério Público Federal em Alagoas também fez uma representação na qual relatava ter tido dificuldade em obter certidões de propriedades rurais no município, além de ter reunido relatos de prática de grilagem de terras na cidade.
O técnico agrícola Genival Mendes fez uma representação à Corregedoria do TJ-AL acusando Olavo de ter grilado, com ajuda da tabeliã, terras que lhe pertenceriam. Ele afirma que a fazenda São Bernardo, comprada por ele em leilão judicial, foi incorporada à fazenda Capoeirão, de Olavo Calheiros.

Na semana passada, o corregedor do TJ-AL, desembargador Sebastião Costa Filho, encaminhou ao tribunal a conclusão referente ao processo em que recomenda a exoneração da tabeliã. O relatório será analisado pelos 11 desembargadores do TJ-AL, que decidirão se acatam ou não a recomendação.

Moura tem a concessão do cartório de Murici desde 1973 e estava afastada do cargo desde julho de 2007. A corregedoria indicou um interventor para o cartório até que as investigações fossem concluídas. Ontem, a reportagem não conseguiu localizá-la. Em julho passado, ela negou participação em grilagem. A Folha também não conseguiu, ontem, contato com Calheiros.
(SÍLVIA FREIRE)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

PRÊMIO PINÓQUIO

por Denis Rosenfield, no Estadão

Acreditar neste governo é pior do que acreditar em mentirosos. Estes, pelo menos, se deixam ver como tais, sem muitos subterfúgios, enquanto nosso presidente e seus ministros agem sem nenhum pudor. O presidente Lula declarou alto e bom som que não aumentaria os impostos, logo após ser derrotado em sua tentativa de prorrogar a CPMF. Chegou a fazer discursos grandiloqüentes sobre a democracia e as virtudes republicanas. Colocou-se em sintonia com o Senado e, sobretudo, com a opinião pública nacional. Desmentiu o seu ministro da Fazenda quando este já anunciava um novo aumento dos impostos por vir. É como se Lula parecesse alinhado com os democratas e os tucanos!

Ora, o mesmo ministro Mantega vem agora a público declarar um aumento dos impostos via elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), com evidente prejuízo para o setor produtivo e para os cidadãos em geral. É como se a palavra nada valesse, sendo de uso descartável. No entanto, na tentativa de manter as aparências, o mesmo ministro Mantega chegou a dizer, e pelo visto sem enrubescer, que "o presidente Lula disse que não mexeria na área tributária em 2007 e de fato não o fez. Estamos fazendo em 2008 e, portanto, está dentro daquilo que foi estabelecido". Deveria ganhar o prêmio Pinóquio!

Ele certamente deve considerar os senadores que fizeram a negociação relativa à prorrogação da DRU como um bando de paspalhos. Na melhor das hipóteses, os senadores não teriam compreendido o significado das palavras, por não estarem à altura da sapiência governamental! Quando o presidente assegura que não haverá aumento de impostos, ele está simplesmente dizendo que, naquele momento preciso, não haverá aumento de impostos, nada prejulgando sobre os minutos seguintes! A sua palavra tem uma validade instantânea, a do tempo de sua enunciação. Fica inclusive a questão: como se pode negociar politicamente se a palavra não tem nenhum valor?

O governo foi derrotado no Senado. A mensagem foi clara: um órgão representativo da soberania popular disse não ao aumento dos impostos. Fazendo ouvidos moucos, o governo passa para um desrespeito manifesto a uma decisão legislativa. E o fez utilizando dois instrumentos claramente discricionários: um decreto e uma medida provisória.

O decreto permite ao Poder Executivo aumentar o IOF sem consultar o Poder Legislativo. Na verdade, trata-se do arbítrio o mais puro, arrogando-se o governo no direito de interferir diretamente nas relações de propriedade. Quaisquer elevações de impostos, contribuições e taxas são nada mais do que transferências de propriedade, o governo apropriando-se de um bem que não é seu. Ele não poderia, de modo nenhum, utilizar um tal instrumento administrativo como se fosse um "direito" seu. Sociedades democráticas foram as que submeteram tentativas desse tipo ao controle do Poder Legislativo. Nossos parlamentares deveriam, nesse sentido, criar um instrumento legal que coibisse tais atos de arbitrariedades governamentais. De um modo geral, deveria valer para todos os atos que afetassem os direitos de propriedade, como, por exemplo, as Instruções Normativas do Incra.

A elevação da CSLL deverá ser feita, conforme anunciado, por medida provisória. Ora, a medida provisória é também um instrumento do governo utilizado para legislar, pois o seu efeito jurídico é imediato, passando a valer no momento de sua edição. O arbítrio reside precisamente no fato de o Poder Executivo passar a atuar como se Legislativo fosse, contando com a anuência de parlamentares que não ousam exercer a sua função. As aparências democráticas são superficialmente guardadas, quando, na verdade, ocorre um tipo de fraude no modo de funcionamento das instituições republicanas. O trâmite legal deveria ser um projeto de lei, que passaria por uma avaliação séria dos deputados e senadores. Cabe, no entanto, o recurso que os senhores parlamentares poderiam utilizar: o da não admissibilidade da medida provisória, por não observar as condições de urgência e relevância. O Congresso Nacional se mostraria à altura de suas funções e a sociedade brasileira se sentiria novamente representada.

Os pinóquios teriam de mostrar os
seus narizes!

LULA DA SILVA, O PRESIDENTE DOS IMPOSTOS

por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga

Lula da Silva se esforça enormemente para ter seu nome gravado na história do Brasil como o maior presidente da República já havido nesse país. Para tanto se compara a Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e, se preciso for, a Jesus Cristo. Na sua egolatria, que o faz se sentir maior do que todos estes, resvala para aquele tipo de paranóia que acomete os poderosos e parece crer em suas próprias mentiras.

O ex-metalúrgico, que sempre foi dotado de imensa sorte, não tem medo de ser feliz. Assim, parodiando Zeca Pagodinho segue a cantando: "Deixa a vida me levar, leva eu". Em que pese sua origem humilde, largamente explorada pela propaganda e convertida em mito e tabu (aí do elitista explorador que disser que o presidente é semi-analfabeto e exímio produtor de asneiras em seus discursos não preparados por assessores), ele tem sido levado pela vida de forma fácil e rendosa. Optou por não estudar e não trabalhar depois de ter passado rapidamente pelas lides do torno mecânico como elite dos operários de São Bernardo do Campo, os metalúrgicos. E sua facilidade retórica, típica dos repentistas, o fez enveredar pelas vias da política, primeiro como líder de seus iguais dos quais foi se afastando gradativamente.

Cabe aqui relembrar a análise de Roberto Michels sobre a "lei de bronze da oligarquia". Explica Michels, um socialista alemão que se tornou amigo de Mussolini, que as massas são necessariamente governadas por uma minoria que se lhes impõe. Isto acontece até no interior das organizações reputadas "democráticas", como os partidos socialistas e os sindicatos operários. Nestas entidades, por força da necessidade de organização, forma-se uma "direção profissional" que se impõe à base. A soberania das massas é, então, ilusória. Porque essa situação oligárquica assenta-se não só na tendência dos chefes, sempre vitoriosos, de perpetuar-se no poder e a reforçar sua autoridade, mas, sobretudo, na inércia das massas, prontas a entregar-se a uma minoria de especialistas, profissionais de ação pública.

Pois bem, estamos vivendo numa república sindicalista. Talvez, isso ajude a explicar o vezo autoritário do PT e sua ambição desmedida de se perpetuar no poder, pois não é impossível que o partido dos aloprados (segundo palavras de seu próprio líder, Lula da Silva) volte a trabalhar a idéia de um terceiro mandato. Parece que os sindicalistas governantes estão usando a lei de bronze da oligarquia com relação não aos sindicatos, mais extensiva a toda sociedade brasileira. Colabora com o êxito do ex-metalúrgico a inércia das massas, sequiosas por um pai estatal que lhes traga benefícios imediatos.

Mas resistirá a grande sorte e inabalável prestígio de Lula da Silva aos aumentos de impostos? O presidente mentiu para as frágeis oposições. Mentiu para o povo quando disse à sombra de uma frondosa árvore de Natal, que não aumentaria os tributos para substituir a CPMF. Mas logo no início deste ano que mal alvorece fomos brindados com um pacotão que, em países onde os cidadãos são dotados de consciência cívica, seria repudiado com veemência.

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para pessoas físicas foi simplesmente duplicado, o que vai complicar tremendamente a vida dos brasileiros que produzem. Tudo vai subir: prestações, crédito, empréstimos. A CSLL (Contribuição sobre o lucro líquido) paga por instituições financeiras, que também terá elevação de alíquotas, será, sem duvida, repassado pelos bancos aos seus clientes. E por aí vai, sendo que outros aumentos devem vir para matar a fome insaciável do PT no poder por recursos que mantenham o luxo da corte, as ONGs sustentadas pelo poder público, os cargos dos companheiros, os dadivosos presentes dados para outros países, os desperdícios, as maracutaias, termo usado no passado por Lula da Silva para criticar a falta de ética dos outros.

O ministro Guido Mantega justificou as medidas amargas dizendo que as promessas do presidente se referiam apenas a 2007, sendo que já estamos em 2008. Sem dúvida, um deboche que afronta os brasileiros, considerado pelo ministro como débeis mentais.

Resta agora a oposição funcionar de novo como tal. Oposição que ingenuamente aprovou a DRU acreditando na palavra, que nunca foi cumprida, do presidente da República, de que não haveria aumento de impostos. Oposição e Poder Judiciário que devem barrar as medidas adotadas pela Receita Federal de fiscalizar as operações financeiras, obrigando os bancos a repassar semestralmente dados sobre cidadãos e empresas, o que configura quebra do direito ao sigilo previsto pela Constituição no capitulo das garantias fundamentais. Oposição deve agir tendo em mente as medidas impopulares desse governo que mentiu e traiu seus governados. E que Lula da Silva passe à história como o presidente dos impostos. Isso deve ser o mote das oposições, ou então, que elas se extingam de vez.

Publicado em 07/01/2008

domingo, 6 de janeiro de 2008

METAMORFOSE AMBULANTE

Da Veja: "A transformação de Marisa Letícia - A real metamorfose ambulante. Liftings, lipos, Botox e novos figurinos: a transformação de Marisa Letícia desde que se tornou primeira-dama.

Do Blog Democratas

sábado, 5 de janeiro de 2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Lulla Pinochio


Fonte Diário do Comércio

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

VALEU A PENA

artigo de Christina Fontenelle


Eu não conheço pessoalmente o jornalista Franklin Martins. Tudo que sei sobre ele é o que sai na mídia e o que na mesma o vejo fazer, dizer e escrever. E é com base no que leio e vejo que, pelo menos para mim, ele está muito mais para militante partidário do que para jornalista – o que, em minha opinião, são ocupações antagônicas, por motivos éticos óbvios. Diga-se de passagem e faça-se justiça, Franklin não é o único. Não que uma pessoa com formação jornalística não possa ser um militante de carteirinha. Pode e, se achar que deve, deve mesmo. O problema é deixar isso bem claro. Como? Há mil e uma maneiras, mas, um bom começo, é não exercer o cargo de comentarista político em mídias que dizem estar fazendo jornalismo e não militância. Fazer parte da assessoria de imprensa de um partido pode, por exemplo. Mas, isso não é nem revolucionário nem gramsciniano, é?

O pai de FM, Mario Martins, foi jornalista e político – vereador, deputado federal e senador cassado pelo AI-5. Foi justamente depois do AI-5 que Franklin, segundo suas próprias palavras, chegou "à conclusão de que não havia outro caminho senão o de enfrentar a ditadura de armas na mão ". E foi exatamente o que ele fez. Entre outras coisas, em setembro de 1969, participou do grupo que seqüestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar o governo a libertar 15 presos políticos.

Foi o próprio Franklin quem redigiu o manifesto dos seqüestradores , do qual destaco as seguintes partes:

1) "Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores "; e

2) "A vida e a morte do Sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária ".

Como se pode constatar o que os revolucionários queriam era mesmo a revolução comunista e não a democracia pela qual, falsamente, hoje, dizem ter lutado. Ditadores, para eles, eram os que combatiam os comunistas. O detalhe é que a "ditadura" só se instalou porque, antes dela, havia comunistas querendo tomar o país. Até hoje tem gente que acredita no contrário. Mas, isso não vem ao caso, agora.

Voltando ao nosso personagem, FM foi para Cuba, para fazer curso de guerrilha rural. De lá, foi para o Chile de Salvador Allende. Voltou para o Brasil e trabalhou para o movimento revolucionário na clandestinidade. Em 1974, auto exilou-se na França (sabem quanto custa isso em dólares? Haja trabalho clandestino, hein?) onde se diplomou na École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade de Paris. Voltou para o Brasil em 1977 e passou mais dois anos na clandestinidade até "aparecer" em 1979, quando foi anistiado. Foi durante esse período de dois anos que conheceu a militante Ivanisa Teitelroit, uma psicóloga com quem se casou e com quem, posteriormente, teve dois filhos.

De 1979 para cá, trabalhou no jornal Hora do Povo, candidatou-se a deputado (não foi eleito), foi repórter do "Indicador Rural", redator do Globo e do Jornal do Brasil. Em 1987, mudou-se para Brasília, onde foi repórter e depois coordenador político da sucursal do JB. Foi correspondente do JB, em Londres. Trabalhou também no no SBT e no Estado de São Paulo. De volta ao Globo, foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Escreveu colunas para o Jornal de Brasília e para as revistas "República" e "Época". Durante oito anos e meio esteve na TV Globo, na Globonews e na CBN, como comentarista político. Atualmente, Franklin Martins é comentarista da TV e da Rádio Bandeirantes e assina uma coluna diária no portal iG.

Ainda na TV Globo, como comentarista político, não conseguiu disfarçar a raiva e o medo de ter "morrido na praia" (ele e o PT) quando estouraram os escândalos do mensalão e de todos os outros crimes cometidos pela turma do PT e pelos vendidos ao partidão. Defendeu até o fim a tese de que "Lula não sabia", não só do tal mensalão mas também de todo o resto. Não que tenha feito isso aberta e claramente, mas sempre bateu na tecla de que não havia provas concretas. Realmente, para quem acha que prova concreta limita-se à confissão assinada e sacramentada, não havia nenhuma mesmo, apesar da exuberância esclarecedora dos fatos – contra os quais não havia argumentos antes dos marxistas tomarem conta de tudo nesse país. Em entrevista à revista Carta Maior , em 14/06/06, Franklin disse o seguinte sobre essa estórida de se Lula sabia ou não sabia: "Olha, nesse caso, eu uso o exemplo do pai que pergunta para a mãe sobre a filha. A mãe responde: "Ela está com o namorado, trancada no quarto, há horas, e não quer sair". O pai sabe exatamente o que se passa lá dentro? Não, mas pode supor. Com Lula aconteceu parecido ..."

Na verdade, até bem pouco tempo atrás, FM nunca fez muita questão de disfarçar a sua, digamos, "simpatia" pelo PT. Depois dos escândalos, teve de se controlar. Mas, com a consagração da vitória dos revolucionários gramscinianos sobre a realidade, sobre a justiça e sobre a razão, aos poucos, de emprego novo e aliviado, o sorriso e a postura de "comentarista" bem relacionado foram voltando ao corpo de Franklin.

O comentarista trocou as Organizações Roberto Marinho pela Rede Bandeirantes depois que a Globo não renovou seu contrato. Não passou nenhum dia desempregado. A Band é proprietária da Rede 21, que passou a se chamar PlayTV depois que Fábio Luiz da Silva — o Lulinha - filho de Lula — assumiu o controle de quase toda a programação. Muitos dizem que Franklin deixou a Globo por causa de um "duelo público" entre o jornalista global e o colega de profissão Diogo Mainardi, colunista da revista Veja. Mainardi deu notoriedade ao irmão e à irmã de Franklin, Victor e Maria Paula Martins, ambos, respectivamente, designados pelo atual governo para a Agência Nacional do Petróleo e para a diretoria da estatal capixaba que regula o setor do gás, a Aspe. A mulher de FM, funcionária pública há mais de 20 anos, foi secretária parlamentar do líder petista Aloizio Mercadante e, depois, passou a trabalhar numa subsecretaria do Ministério do Planejamento. De acordo com Mainardi, o sobrenome Martins pesou nas nomeações. De acordo com Franklin, não pesou.

Mas, o pior mesmo, foi a divulgação de uma estorinha que circulava entre jornalistas. Mainardi diz que possui muitas fontes e que pelo menos 15 delas poderiam confirmar a estória de que Franklin Martins teria avisado ao ex-ministro Antônio Palocci de que o caseiro Francenildo teria recebido dinheiro para fazer a denúncia sobre a presença constante do ministro na "casa da maracutaia", em Brasília. Quem poderia saber que o caseiro havia recebido dinheiro senão quem tivesse tido acesso aos dados de sua conta-corrente na CEF. O fato é que deve ser difícil ser um jornalista imparcial com tantos parentes trabalhando no governo. Ou não?

Martins chamou Mainardi de golpista por pedir o impeachment de Lula. Num outro trecho da entrevista que concedeu à revista Carta Maior, disse o seguinte sobre a comparação entre a situação em que se pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo: " Não existia no governo uma espécie de comitê central da corrupção, como havia no governo Collor. Cada um foi fazer sua jogada particular. As divisões internas ao governo impediram que vários negócios desse tipo prosperassem. Havia sim uma quadrilha, mas não o mensalão, entendido como pagamento regular a determinados parlamentares. Houve compra de apoio político de chefes partidários, através de doações clandestinas a gente como Valdemar da Costa Neto e José Janene, que ficaram com o dinheiro. Para onde foram esses recursos, eu não sei ". Vejam como são as coisas... Para mim, é justamente o contrário. Mas, eu não sou "uma conceituada comentarista política".

O surrealisticamente reeleito presidente Lula está formando seu ministério para o novo mandato. Vai criar o Ministério da Comunicação Social e, aos moldes do que já fez o companheiro Hugo Chavez, na Venezuela, vai criar a super TV Estatal digital. Franklin Martins, pelo que tem sido divulgado, vai assumir a pasta da Comunicação Social. Se aceitar o cargo, Martins deixa a BAND para chefiar um ministério com super-poderes e verbas publicitárias que chegam a 1,5 bilhão de reais por ano. Sob o novo ministério ficarão a Radiobrás (e a futura rede estatal de televisão (*)); a Secom; a secretaria de Imprensa da presidência da República e as verbas publicitárias do governo. A propósito, nosso futuro ministro não poderá colocar os pés nos EUA – por causa de sua participação no seqüestro do embaixador americano em 1969.

Tem gente que nega. Nega veementemente, peremptoriamente, como gostam de dizer os petistas. Mas, a imprensa e a mídia de um modo geral (e, é claro, os profissionais que nela trabalham) ficam numa posição um tanto quanto desconfortável diante dos mais variados tipo de perseguição que podem sofrer, não somente os veículos de comunicação mas também quem neles anuncie. Há uma lista infindável de exemplos na história recente do país. Vou citar o último deles. Diogo Mainardi está sendo processado por se referir ao nordeste como "bandas de lá" e por dizer não querer pisar em Cuiabá. Manifestar gosto e vontade está ficando perigoso e cada vez mais caro – o que quer que se diga poderá ser interpretado como manifestação preconceituosa passível de punição. Mas, como sempre, e como não poderia deixar de ser, Reinaldo Azevedo descreve e analisa muito bem o fato . Eu fecho com seus comentários sobre o assunto.

Franklin Martins finalmente chega ao governo e ao poder, de fato. Tentou fazer isso através da revolução comunista armada. Não conseguiu. Tentou eleger-se deputado. Não conseguiu. Agora, a recompensa. Num país onde a realidade e a verdade vêm sendo sistematicamente ignoradas e subjugadas pela mentira meticulosa e insistentemente construída a partir de uma revolução gramsciniana que se desenvolve há mais de 20 anos, não só tem valido a pena esperar como também pagar o preço. Para quem os fins justificam os meios, aliás, não há o quê nem pelo quê não se possa pagar. Preço maior tem pago mesmo é a democracia brasileira, para a qual coisas como essa significam a consumação da derrota.


(*) A Rede Nacional de Televisão Estatal deve consumir R$250 milhões de recursos orçamentários nos próximos quatro anos. O projeto, destinado a divulgar ações governamentais, entra em choque com propostas em discussão no Congresso que sugerem a restrição dos gastos com propaganda. "Temo que o destino dessa rede seja se tornar uma TV Lula. É um despropósito"... "Pela proposta colocada, o governo quer uma TV de louvação e não de informação", critica o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) que integra a oposição ao governo e promete resistir à proposta. "Nem o Congresso nem a sociedade têm instrumentos para fiscalizar a programação de uma super-rede como essa que o governo planeja", acrescenta o vice-líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA).

Mais Uma Vez, a Luta de Classes

Uma novidade que, nos últimos tempos, vem ocupando as manchetes de nossos jornais é a luta de classes. Mazela que, vez por outra, aflige as sociedades, vem sendo irresponsavelmente estimulada, em nosso país, por setores cuja atitude deveria ser bem outra, inclusive por autoridades do mais alto escalão do governo. E, nesse jogar lenha na fogueira, nesse semear de ódios, tais pessoas, que parecem não ter estudado História, não se pejam de lançar mão dos mais baixos recursos, das mais deslavadas mentiras, sem medir as conseqüências de seus atos ou, talvez, medindo-as muito bem.

Já virou até folclore a acusação de que a culpa de todos os nossos pecados é da elite brasileira. O povo já percebeu claramente que, hoje, a "nomenclatura" que se assenhoreou da máquina governamental, para o bem ou para o mal, é uma das mais notórias representantes de nossa elite atual e, portanto, é a responsável maior por tudo o que se faz ou se deixa de fazer no país, tanto os acertos quanto os desacertos. Não há como fugir dessa verdade.

Há poucos dias, o próprio presidente da república, irritado pela recusa do Senado em prorrogar a vigência da CPMF, declarou, em rede nacional de televisão, que a derrota do governo era culpa de 10 milhões de ricos, que haviam logrado acabar com o único imposto que não conseguiam sonegar. Ora, quem pagava mais CPMF eram as pessoas jurídicas (as mesmas que criam empregos) e não as pessoas físicas. Fica, pois, difícil identificar os 10 milhões de ricos a quem se referiu o presidente. Por outro lado, se há sonegação de impostos é porque o Estado, por incompetência ou falta de vontade política, está deixando de fazer seu trabalho, de aplicar, ao contribuinte, os rigores da Lei. Não há nenhuma razão, portanto, para lançar a culpa sobre os tais ricos. Aliás, não há, nem mesmo, nenhuma culpa a apurar. O que o Senado fez foi simplesmente atender, ainda que tardiamente, um antigo anseio popular e oxalá continue a proceder dessa forma, a fim de aliviar a absurda carga tributária a que o povo está sujeito. E não venham falar em filas do SUS, pois essa elite que aí está não entra em fila.

Outro exemplo típico de incentivo às lutas de classes foi a criação de vagas privativas para minorias raciais nas universidades, assunto esse já por demais debatido e sobre o qual não é o caso de discorrer com maior profundidade nesse texto, mas que, pelo seu absurdo, merece pelo menos ser citado. O mal causado à sociedade e ao sistema de ensino foi tão grande que, certamente, mesmo que no futuro seja reparado, deixará cicatrizes por muitas décadas.

Aproxima-se, todavia, um novo e grande perigo do qual, parece, a sociedade ainda não se deu conta: a interpretação, eivada de má fé, do artigo 68 das Disposições Transitórias da Constituição Federal, que diz, de forma bem clara:

Art. 68. Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.

O texto não deixa margem a dúvidas e, mesmo, dispensa interpretação: aos remanescentes que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade. Está claríssimo. Nada é dito sobre desapropriação, sobre tomar terra de alguém.

Não é isso, todavia, o que está ocorrendo. A título de regulamentação do artigo 68, o governo (arbitrariamente, diga-se de passagem, pois é ao Poder Legislativo que compete regulamentar dispositivos constitucionais) baixou o decreto 4887/03 que, entrando em choque com o que dispõe a Constituição Federal, altera as regras do jogo e estabelece, por exemplo, que a condição de quilombola será reconhecida em decorrência de declaração do próprio interessado. O citado decreto cria a possibilidade de desapropriação de áreas e sua cessão a comunidades que se dizem quilombolas. É uma loucura! Em Pernambuco, a prefeitura de Olinda já deu a partida, com a desapropriação de pontos turísticos existentes no centro da cidade.

Nesse quadro, vale lembrar que o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, já foi um quilombo e, conseqüentemente, está sujeito a desapropriação. O que virá depois? Nas Forças Armadas, os oficiais entrarão em luta contra as praças? Na Igreja Católica, os padres se insurgirão contra os bispos? Nas escolas, os alunos se voltarão contra os professores? A prosperar a insana mens legis, dentro em breve teremos de devolver o país às tribos indígenas.

Praza aos céus que o Judiciário assuma logo seu papel e, soberanamente, declare de uma vez por todas a inconstitucionalidade desse malsinado decreto, corrigindo, assim, a omissão do Legislativo e restituindo um pouco de paz à sociedade.

A mim, que fui criado dentro da idéia de que o Brasil é um país multirracial e que aqui se prima pelo sincretismo religioso, causa-me repulsa tanta má fé, tanta falta de escrúpulo. É preciso dar incessante combate a tais manobras. É preciso que os homens de bem, os que ainda conservam seus princípios éticos levantem seu grito de protesto. Não é esse o Brasil que queremos. O nosso é um país sem ódios, sem lutas de classes. Aqui não há "guerra santa". Aqui, árabes e judeus são irmãos. Somos assim e não queremos mudar. Quem discordar, que vá-se embora.

Mário Ivan Araújo Bezerra

Oficial-General da Reserva do Exército

marioivan@terra.com.br

Eu desejo um FELIZ 2008 a todos os amigos virtuais ou não!